Heptagrama do Comportamento Criativo

Os 7 agentes modeladores de nosso comportamento

Somos todos da mesma espécie, mas então por que uns têm mais facilidade para criar do que outros? Mesmo tendo a mesma formação e vivendo vidas parecidas, as diferenças são evidentes. A explicação é que nosso comportamento sofre a influência de 7 agentes modeladores que ocupam espaços, tamanhos, pesos e intensidades diferentes em cada indivíduo, afetando diretamente seu comportamento e, consequentemente, sua capacidade de criar. A este conjunto eu chamo de Heptagrama.

O Heptagrama do Comportamento Criativo é a base do meu estudo. É nele que encontramos minha visão sobre criatividade e comportamento e todas as argumentações lógicas que buscam oferecer credibilidade e validade à teoria. É um conteúdo bastante extenso e profundo que está sendo desenvolvido em um livro a ser lançado brevemente

heptagrama 2

Agentes Morfológicos (Verde)

Código Genético

Definido como “Estrutura biológica hereditária que torna cada espécie e indivíduos únicos, com instruções necessárias para que eles se desenvolvam, sobrevivam e se reproduzam.”

Este primeiro agente estabelece a base biológica fundamental do comportamento criativo – o substrato genético que determina predisposições e potenciais inatos. O código genético representa o componente mais profundamente enraizado e menos modificável do sistema, fornecendo as “instruções necessárias” que estabelecem os parâmetros básicos dentro dos quais os outros agentes operam.

A influência do código genético na criatividade manifesta-se através de predisposições neurológicas, capacidades cognitivas inatas, e tendências temperamentais que criam o substrato biológico sobre o qual as experiências e aprendizagens subsequentes se desenvolvem. Este agente explica parcialmente por que diferentes indivíduos demonstram diferentes inclinações e potenciais criativos desde tenra idade, e por que certos aspectos da criatividade parecem ter um componente hereditário.

Padrões Adquiridos

Definidos como “Sistema cerebral de retenção de informações colhidas ao longo da vida. Sólido e resistente, determina o que é ‘certo’ e o que é ‘errado’, buscando criar parâmetros lógicos que facilitem e favoreçam a sobrevivência dos indivíduos.”

Este segundo agente representa o componente de aprendizagem e memória do sistema – as estruturas cognitivas que se desenvolvem através da experiência e que estabelecem os parâmetros de julgamento e avaliação. Os padrões adquiridos funcionam como filtros interpretativos que determinam como percebemos e categorizamos a realidade, sempre com o propósito evolutivo de “facilitar e favorecer a sobrevivência”.

Os padrões adquiridos incluem conhecimentos, crenças, valores, e modelos mentais que são internalizados através da experiência e educação. Eles constituem um sistema de referência que orienta a percepção, interpretação e resposta aos estímulos, estabelecendo o que é considerado “normal”, “correto”, ou “aceitável”. Esta estrutura normativa tanto facilita quanto restringe a criatividade – por um lado fornece a base de conhecimento a partir da qual a inovação pode emergir, por outro pode criar resistência a pensamentos e ideias que desafiam os parâmetros estabelecidos.

Controle Fisiológico

Definido como “Estímulos químicos positivos e negativos, que controlam o comportamento com o propósito de se fazer respeitar o pragmatismo dos Padrões Adquiridos.”

Este terceiro agente representa o componente neuroquímico do sistema – os mecanismos de recompensa e punição que reforçam comportamentos alinhados com os padrões adquiridos. O controle fisiológico funciona como um sistema de implementação que utiliza estímulos químicos para garantir que o comportamento respeite o “pragmatismo dos Padrões Adquiridos”, criando assim uma ponte entre cognição e ação.

O controle fisiológico opera através de neurotransmissores, hormônios e outras substâncias bioquímicas que produzem sensações de prazer, dor, conforto, desconforto, excitação, ou tranquilidade. Este sistema de feedback bioquímico associa estados emocionais específicos a comportamentos particulares, criando incentivos ou desincentivos para diferentes padrões de pensamento e ação. Na criatividade, este sistema pode tanto estimular a exploração de novas ideias (através da “recompensa da descoberta”) quanto inibir o pensamento divergente (através da “ansiedade do desconhecido”).

Agentes Circunstanciais (Amarelo)

Imperativo Social

Definido como “Nos animais gregários, a necessidade de interações sociais e seus desdobramentos são inescapáveis.”

Este quarto agente representa o componente social do sistema – a influência inescapável das interações e estruturas sociais no comportamento. O imperativo social reconhece que, como “animais gregários”, os humanos são fundamentalmente moldados por suas relações sociais, e que estas relações impõem demandas e restrições específicas que afetam o comportamento criativo.

O imperativo social inclui normas culturais, expectativas de pares, estruturas hierárquicas, e dinâmicas de grupo que influenciam o que é considerado criativo, como a criatividade é expressa, e como as inovações são recebidas e implementadas. Este agente reconhece que a criatividade não ocorre em um vácuo, mas dentro de um contexto social que pode tanto catalizar quanto inibir a expressão criativa. O status social, o papel dentro do grupo, e as expectativas culturais todos influenciam profundamente como, quando, e por que a criatividade se manifesta.

Ambiente Imaterial

Definido como “Inconsciente Coletivo, sincronicidade, Zeitgeist e energias corpóreas na criação de estados emocionais.” Este quinto agente representa o componente transpessoal do sistema – as influências que transcendem o indivíduo e emergem de campos coletivos de consciência e energia. O ambiente imaterial introduz uma dimensão não-materialista ao sistema, reconhecendo a influência de fatores como o “Inconsciente Coletivo” (conceito junguiano) e o “Zeitgeist” (espírito do tempo) na formação de estados emocionais que afetam a criatividade.

O ambiente imaterial engloba arquétipos psicológicos, correntes culturais, movimentos intelectuais, e o “clima emocional” de uma época ou lugar. Este agente reconhece que existem influências sobre a criatividade que não são redutíveis a fatores biológicos, psicológicos, ou sociais isolados, mas emergem de interações complexas entre consciências individuais e coletivas. Ele explica parcialmente por que certas ideias criativas parecem “surgir no ar” e por que inovações semelhantes frequentemente emergem simultaneamente em diferentes lugares.

Alterações Bioquímicas

Definidas como “Funcionamento regular do cérebro alterado por elementos positivos ou negativos, como o uso de drogas, traumas encefálicos, distúrbios mentais, meditação, etc.”

Este sexto agente representa o componente de estados alterados do sistema – as modificações temporárias ou permanentes na bioquímica cerebral que afetam o funcionamento cognitivo. As alterações bioquímicas reconhecem que o “funcionamento regular do cérebro” pode ser modificado por diversos fatores, tanto “positivos” (como meditação) quanto “negativos” (como traumas), criando estados mentais que influenciam significativamente a criatividade.

As alterações bioquímicas podem resultar de substâncias exógenas (como drogas, medicamentos, ou alimentos), práticas conscientes (como meditação, exercício, ou privação sensorial), ou condições médicas (como lesões cerebrais, distúrbios neurológicos, ou variações genéticas raras). Estas alterações podem modificar a percepção, cognição, emoção, e comportamento de maneiras que afetam significativamente o processo criativo, tanto facilitando quanto inibindo diferentes aspectos da criatividade. Este agente reconhece que estados cerebrais não-ordinários podem desempenhar um papel importante na geração de insights criativos e na superação de bloqueios mentais.

Agente Interventor (Vermelho)

Pensamento Racional

Definido como “Utilização da metacognição (capacidade de monitorar e auto-regular os processos cognitivos) na tomada de decisões, de forma insubmissa ao resto do Heptagrama.”

Este sétimo e último agente representa o componente metacognitivo do sistema – a capacidade exclusivamente humana de monitorar, regular e direcionar conscientemente os processos cognitivos. O pensamento racional é caracterizado como “insubmisso ao resto do Heptagrama”, indicando sua capacidade única de transcender parcialmente os outros seis agentes e exercer uma forma de autonomia relativa através da metacognição.

O pensamento racional inclui processos como análise lógica, planejamento estratégico, avaliação crítica, e direcionamento consciente da atenção e do esforço mental. Esta capacidade metacognitiva permite aos humanos observar seus próprios processos mentais, identificar padrões e tendências, e intervir ativamente para modificar ou direcionar estes processos. No contexto da criatividade, o pensamento racional permite avaliar e selecionar entre diferentes ideias, estruturar processos criativos, identificar e superar bloqueios, e direcionar conscientemente a exploração de domínios específicos.

A caracterização do pensamento racional como “insubmisso” aos outros agentes é particularmente significativa – ela reconhece a capacidade humana única de transcender parcialmente determinações biológicas, psicológicas, e sociais através da reflexão consciente e escolha deliberada. Esta capacidade não nega a influência dos outros agentes, mas permite um grau de liberdade relativa em relação a eles, criando o espaço para agência consciente que é central à Engenharia Neurocriativa.

Categorização dos Agentes

O Heptagrama categoriza os sete agentes em três grupos distintos, representados por cores diferentes:

Agentes Morfológicos (Verde)
  • Código Genético (1)
  • Padrões Adquiridos (2)
  • Controle Fisiológico (3)

Estes agentes representam os componentes estruturais fundamentais do sistema – os elementos que estabelecem a forma básica e os parâmetros operacionais do comportamento criativo. São os agentes mais profundamente enraizados e menos flexíveis.

Os agentes morfológicos constituem o “hardware” e o “software básico” do sistema criativo – as estruturas biológicas, cognitivas, e emocionais fundamentais que estabelecem o terreno sobre o qual os outros agentes operam. Eles são relativamente estáveis e resistentes a mudanças rápidas, evoluindo lentamente através de processos geracionais (no caso do código genético) ou através de aprendizagem e desenvolvimento ao longo da vida (no caso dos padrões adquiridos e controle fisiológico).

Estes agentes estabelecem os limites e possibilidades fundamentais do comportamento criativo de um indivíduo, determinando seu potencial básico e suas predisposições inatas. Eles são amplamente determinísticos, operando segundo princípios biológicos e psicológicos que estão largamente além do controle consciente imediato. No entanto, eles não são completamente imutáveis – os padrões adquiridos podem ser modificados através de aprendizagem e o controle fisiológico pode ser influenciado através de diversas práticas conscientes.

Agentes Circunstanciais (Amarelo)
  • Imperativo Social (4)
  • Ambiente Imaterial (5)
  • Alterações Bioquímicas (6)

Estes agentes representam os componentes contextuais e variáveis do sistema – os elementos que flutuam e se modificam de acordo com circunstâncias específicas. São os agentes mais dinâmicos e adaptáveis.

Os agentes circunstanciais constituem o “ambiente operacional” do sistema criativo – os contextos sociais, culturais, e bioquímicos que modulam a expressão dos agentes morfológicos e influenciam como a criatividade se manifesta em situações específicas. Eles são relativamente fluidos e responsivos a mudanças circunstanciais, podendo variar significativamente de um momento para outro, de um contexto para outro, ou de um estado para outro.

Estes agentes introduzem variabilidade e adaptabilidade ao sistema criativo, permitindo que ele responda a diferentes situações e desafios de formas específicas ao contexto. Eles explicam por que a mesma pessoa pode demonstrar diferentes padrões de criatividade em diferentes ambientes sociais, períodos culturais, ou estados mentais. Ao contrário dos agentes morfológicos, que estabelecem o potencial criativo fundamental, os agentes circunstanciais determinam como este potencial se expressa em circunstâncias particulares.

Agente Interventor (Vermelho)
  • Pensamento Racional (7)

Este agente único representa o componente metacognitivo do sistema – o elemento que pode intervir conscientemente nos outros seis agentes. É o agente mais distintivamente humano e potencialmente transformador.

O agente interventor constitui o “operador” do sistema criativo – a capacidade metacognitiva que permite monitorar, avaliar, e direcionar conscientemente os processos criativos. Ele é único por sua relativa autonomia em relação aos outros agentes, possuindo a capacidade de observá-los, compreendê-los, e intervir em suas operações através da reflexão consciente e decisão deliberada.

Este agente introduz o elemento de escolha consciente e direcionamento intencional ao sistema criativo, permitindo que humanos não apenas respondam a determinações biológicas, psicológicas, e sociais, mas também as transcendam parcialmente através da reflexão e decisão. Ele é a base da Engenharia Neurocriativa, que utiliza precisamente esta capacidade metacognitiva para intervir estrategicamente no sistema criativo e otimizar seu funcionamento.

Estrutura Geométrica e Relações

O Heptagrama é representado como uma estrela de sete pontas, com cada ponta correspondendo a um dos sete agentes. Esta estrutura geométrica sugere várias propriedades importantes do sistema:

Integração

Os sete agentes formam um sistema integrado, com cada agente conectado a todos os outros através da estrutura da estrela. Esta integração visual representa a interconexão fundamental dos agentes – nenhum opera isoladamente, cada um influencia e é influenciado por todos os outros em um sistema complexo de causalidade recíproca.

Esta propriedade de integração explica por que intervenções em um agente frequentemente produzem efeitos em todo o sistema, e por que abordagens holísticas que consideram múltiplos agentes simultaneamente tendem a ser mais eficazes do que abordagens reducionistas que focam em agentes isolados. A criatividade emerge da interação dinâmica entre todos os sete agentes, não da operação de qualquer agente individual.

Equilíbrio Dinâmico

A forma simétrica da estrela sugere um equilíbrio dinâmico entre os agentes, onde cada um exerce influência sobre o sistema como um todo. Este equilíbrio não é estático, mas adaptativo, com diferentes agentes assumindo maior ou menor proeminência em diferentes contextos, indivíduos, ou momentos.

Esta propriedade de equilíbrio dinâmico explica por que perfis criativos variam entre indivíduos e por que o mesmo indivíduo pode demonstrar diferentes manifestações criativas em diferentes circunstâncias. O “perfil criativo” de uma pessoa representa uma configuração particular do equilíbrio entre os sete agentes, uma “assinatura” única que determina suas tendências e capacidades criativas específicas.

Centralidade

O centro da estrela representa o ponto de convergência onde todos os sete agentes se encontram e interagem, possivelmente representando o comportamento criativo emergente. Este ponto central pode ser interpretado como o “fenótipo criativo” – a expressão observável que emerge da interação entre os sete agentes.

Esta propriedade de centralidade sugere que o comportamento criativo observável não é redutível a qualquer agente individual, mas emerge da convergência e interação entre todos eles. Ela também sugere a existência de um “núcleo criativo” onde todas as influências se encontram e sintetizam, criando a expressão criativa única que caracteriza cada indivíduo.

Interconexão Complexa

As linhas que formam a estrela criam padrões de interseção complexos, sugerindo que as relações entre os agentes não são simples ou lineares, mas multidimensionais e recursivas. Cada linha intersecta múltiplas outras, criando um padrão de causalidade não-linear onde efeitos podem se propagar através do sistema por múltiplos caminhos simultaneamente.

Esta propriedade de interconexão complexa explica por que o comportamento criativo frequentemente demonstra propriedades emergentes que não são previsíveis a partir de agentes individuais isolados. Ela também sugere que intervenções no sistema criativo podem produzir efeitos não-lineares e às vezes contraintuitivos, com pequenas mudanças potencialmente produzindo grandes efeitos através de cascatas de influência através das múltiplas interconexões.

Meu nome é Henrique Szkło. Para-cientista da criatividade e subversivo

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Sempre quis entender como as coisas funcionam. Uma investigação mais séria começou quando abandonei a publicidade, em 2001, movido por uma curiosidade visceral em entender o funcionamento da minha própria mente. O que nasceu como um enfrentamento de uma depressão persistente transformou-se, com o tempo, em um mergulho filosófico e científico nos fundamentos da criatividade humana. Meu método é prático, provocador e metacognitivo, ou seja, está fundamentado na capacidade humana de escolher os próprios pensamentos e de refletir sobre o próprio processo de pensamento e aprendizado. Não se trata de inspiração, mas sim de autonomia criativa. Saiba Mais